

Biografía
Virginia Satir
Família de Virginia Satir
Virginia enfatizava a importância da história familiar e sua influência na vida das pessoas, e muitas vezes usava sua própria história familiar para ilustrar certos pontos em seus ensinamentos.
Os avós de Virginia, de ambos os lados, nasceram na Alemanha entre 1870 e 1875. Segundo ela, ambas as avós vieram de uma classe socioeconômica privilegiada e se casaram com homens da classe trabalhadora. Mais tarde, Virginia especulou que seus avós haviam deixado a Alemanha em uma situação vergonhosa, por aquilo que, na época, era considerado uma violação inaceitável das normas sociais.
Criada em um clima de sentimentos negativos em relação aos alemães — muitos deles vindo da própria mãe — Virginia sentiu ressentimento por sua herança por bastante tempo. Ela disse:
"Havia muito entre mim e minha descendência, e eu nem queria ir à Alemanha por muitos anos. Mas, desde 1975, tenho ido, e nesta última vez, realmente senti que havia retornado à minha terra natal." (Russell, p. 2)
O pai de Virginia, Oscar Alfred Reinnard Pagenkopf, era o caçula de 13 filhos. Ele era agricultor e tinha pouca educação formal. Virginia se lembrava:
"Acho que meu pai sempre se sentiu um pouco prejudicado por causa disso." (King, p. 15)
Esse sentimento de ter sido privado de oportunidades fazia parte de um quadro maior de baixa autoestima, que Virginia atribuía ao pai, que também era alcoólatra. Mesmo assim, ela aprendeu muito com os pontos fortes de seu pai, especialmente sobre a importância da honestidade.
Sua mãe, Minnie Happe Pagenkopf, vinha de uma família com sete filhos. Virginia lembrava da mãe como uma pessoa que estava sempre buscando formas de consertar o que estava errado:
"Acho que essa é provavelmente uma das razões pelas quais tenho sucesso com pessoas com quem ninguém mais queria lidar. Eu via o potencial. Foi ela quem me ensinou isso." (King, p. 17)
Minnie considerava a educação algo muito importante, a ponto de insistir que a família se mudasse para a cidade quando Virginia, a filha mais velha, começou o ensino médio em 1929.
Além das diferenças educacionais entre seus pais, também havia diferenças religiosas. Quando Virginia tinha cerca de cinco anos, teve apendicite. Sua mãe, que era Cientista Cristã, não queria levá-la ao médico. Seu pai esperou, mas ao ver que Virginia não melhorava, acabou levando-a ao hospital. O apêndice de Virginia havia se rompido. Ela ficou muito doente e permaneceu no hospital por vários meses.
Apesar dessa experiência difícil, Virginia falava de seus anos de crescimento como bons anos. Ela gostava da fazenda e dos animais. Cresceu aprendendo um senso de ética e valores com os pais, sentindo-se apoiada por eles.
Virginia nasceu em 26 de junho de 1916, na fazenda dos pais em Neillsville, Wisconsin. Dezoito meses depois, vieram os gêmeos: Russell e Roger. Após os gêmeos, nasceu Edith em 1921 e depois Ray, o caçula, em 1923. Como a mais velha de cinco filhos, Virginia sentia um senso de responsabilidade por seus irmãos e falava sobre cuidar deles durante os anos de crescimento na fazenda.
A fazenda proporcionou a Virginia inúmeras ilustrações que ela usava em seus ensinamentos. Uma dessas histórias era a de um velho caldeirão de ferro fundido, que ela usava como metáfora para a autoestima:
"Quando eu era uma garotinha, morava numa fazenda em Wisconsin. Na nossa varanda dos fundos havia um enorme caldeirão preto de ferro, com lados arredondados e apoiado em três pernas. Minha mãe fazia seu próprio sabão, então, durante parte do ano, o caldeirão ficava cheio de sabão." (The New Peoplemaking, p. 20)
Ela explicou também outros usos para o caldeirão:
"Em outras épocas, meu pai o usava para armazenar esterco para os canteiros de flores da minha mãe. Passamos a chamá-lo de o 'caldeirão 3-S'. Quem quisesse usar o caldeirão precisava responder a duas perguntas: Com o que o caldeirão está cheio agora? E, o quanto ele está cheio?"
Muitos anos depois, quando pessoas lhe falavam sobre si mesmas — se, se sentiam cheias, vazias, sujas ou até mesmo "rachadas" — Virginia lembrava daquele velho caldeirão. Ela contou que um dia, muitos anos depois, uma família estava sentada em seu escritório lutando para encontrar palavras para expressar como se sentiam consigo mesmos. Então, ela lembrou do caldeirão preto e contou a história. Logo, os membros da família começaram a falar sobre seus próprios "caldeirões", se estavam cheios de sentimentos de valor ou de culpa, vergonha ou inutilidade. Eles lhe disseram depois o quanto essa metáfora tinha sido útil para eles. (The New Peoplemaking, pp. 20-21)
Por:
Margarita M. Suarez
Diretora Executiva, Avanta (Atual "The Virginia Satir Global Network)
Dezembro de 1999

Com sua família: Ray, Edie, Russ, Virginia, Rodger, Minnie, Oscar

Com três anos de idade no colo de sua mãe.

Com seus os irmãos gêmeos.

Com sua família: Ray, Edie, Russ, Virginia, Rodger, Minnie, Oscar